terça-feira, 5 de dezembro de 2017
O Sol se afoga no horizonte enquanto a Lua emerge no seio da noite. A
sua cor é amarelada e contrasta com o brilho do rosto de Deus. A criação
é uma pintura tão bela quanto incerta e a abóbada celeste cravejada de
estrelas é sua moldura. Sabe-se que o tempo é uma miragem e que o espaço
é fruto de uma percepção tridimensional, mas nesse momento maior, tudo o
que vejo é um caudal de gozo e eterna glória. A voz de Deus ecoa como
um trovão e de seu corpo abrem-se clarões de relâmpagos
em tons divinos. Deixe-me contar algo, os olhos mundanos não suportam a
verdade dessa beleza. Mergulho no sonho particular de um estranho
menino, sorrio, permito-me poetizar como o infinito, como o amor, como a
flor e como o ar. Navego por entre as brumas das montanhas, me deito no
leito dos rios, me cubro com as ondas do mar, deslizo sobre o fogo da
fúria dos homens e alço vôo nas asas do espírito santo. Meu violão
clama, atendo-o. A música evoca o metafísico. O céu desaba. A terra o
acolhe. E desse casamento, surge a ponte que liga o além com o nosso
mundo. Arte é seu nome.
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