domingo, 31 de dezembro de 2017
Penetrei o céu, mas era o seu corpo. Um tesouro imaculado que os meus beijos tanto deturpam. Percorrer as suas curvas é como viajar no lsd, um conglomerado de sensações, desejos, perigos. Tu és a minha armadilha favorita, o meu sorriso, a minha lágrima de felicidade. Ando tentando entender o que me prende a ti, talvez seja o seu cheiro, o seu sabor, ou a forma como fazes um homem se sentir menino. E ainda que isso seja tão somente um truque, confesso que adoro cair nesse feitiço. Pois isso, ó flor idolatrada, isso é o que me faz flutuar no teu céu.
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
Quero mergulhar dentro de ti, navegar nas ondas dos teus cabelos e me ancorar nos teus seios. Sonho me inundar da tua presença, te esculpir em mim, fazer de ti meu doce lar. Quando o seu corpo toca o meu corpo, um terremoto de arrepios me estremece por inteiro, o tempo parece parar. Espero renascer na sua boca, saciar os seus desejos, me revelar no teu olhar. Tu és o ar que eu respiro, o meu alívio, a minha bênção e o meu pecado. Quero me entregar a sua alma, me enfeitiçar do teu sorriso e me deixar levar.
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
Possua-me como um cálice de fogo derramando volúpia, com a intensidade
de muitos vulcões entrando em erupção, possua-me com o desejo de um rio
por encontrar o mar. Tu és o fantasma dos meus sonhos, o tártaro do
inferno, o vale da sombra e da morte, assim como és também o meu
refúgio, o meu oásis, o meu jardim regado. Seus lábios mordiscam os meus
lábios, meus olhos engolem os seus olhos, nossas respirações se
encontram e nosso amor é como uma alvorada de trovões estrondaaaaaaaaaaaaaando
nos céus. Nós somos dois loucos. Somos um paraíso.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Eu invoco caravanas de anjos para auxiliar na libertação das criaturas
aprisionadas nessa realidade a qual estou inserido no momento. Suas luzes
celestiais vão arrebentar as trancas de ferro que enforcam esse planeta e
tudo se iluminará na clara luz da presença divina. Os feitiços serão
quebrados, as amarras desatadas, os humanos vão sorrir e viver de acordo
com essa nova frequência comungando todos de um sonho bom. Um mar de
bálsamos estará banhando as mentes antes envoltas em ovos de bronze onde
nada transpassava, exceto trevas, mas agora aliviadas pela sublime paz
celestial. Um rasgo de esperança brotará nos horizontes de cada olhar
que se permite enxergar além dessa viseira purulenta da sociedade. A
crueldade dos corações amargurados cederá lugar para a fraternidade
misericordiosa dos corações que sentem as pulsações dos corações de seus
irmãos, e por isso, prezam para que suas vidas sejam saudáveis e
harmônicas. A beleza estará presente em cada ato, cada gesto, em cada
dia e cada noite, e todos serão felizes pelo fato de estarem vivos.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Desejo me perder nas curvas sinuosas de seu belo corpo, percorrer os labirintos dos seus sonhos, enroscar-me às tranças de seus cabelos e me entregar ao paraíso da sua boca. Desejo me encontrar na sua vida, me enfeitiçar com o teu olhar, mergulhar por entre as suas pernas e fazer de ti o meu refúgio. Desejo me agarrar ao seu perfume e me deixar levar por seu sorriso. Aceito que derrame o seu amor em mim, sim, pois você é parte de mim. E o teu desejo, é sempre o meu desejo
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Antes da mais tenra estrela queimar nos céus, antes das mais belas aves
rasgarem o ar, antes dos rios, dos mares, dos lagos e cascatas banharem
cada terra, cada rocha, cada fauna e cada flora, bem antes do primeiro
homem brotar do barro. Já havia o som da voz de Deus gozando no ventre
do nada, do mistério e do silêncio, dando luz a criação.
Cada grão de areia me lembra uma estrela, uma vida, um sentimento. Os
sonhos percorrem as veredas das praias da vida enquanto a noite raia
junto a Lua que flutua no céu como uma aparição. Vê-se a prata de sua
luz derramada no oceano se encontrando com a figura mais sublime que
esse olhar avistara. Caminho até a beira, as ondas velam meus pés, a
sereia se aproxima. Seu corpo exala maresia e sua boca é um feitiço
infalível. Beijo-a. Meus lábios roçam sua alma que possui sabor de
peixe e de alga. Adentro o belo mar, percebo meu corpo estirado na
areia como que em transe, talvez apenas dormindo. A sereia desata o
vestido de coral e fazemos amor junto ao balanço da maré. Uma vida
realmente boa. O orgasmo é um estrondo de trovão, nossas almas são
relâmpagos, o desejo é um fogo ardente. Repete-se o ato até que a Lua se
afoga no horizonte e cede o firmamento para o Sol esculpir um novo dia.
Nasce a manhã. A alma regressa e meu corpo acorda. Olho para o mar,
sinto que algo aconteceu. Caminho lentamente de volta ao mundo dos
homens e percebo que eu simplesmente não sou um homem. Asas nascem nas
minhas costas e retorno voando para a praia, mas encontro um abismo, uma
fenda rasgada no chão dizendo para aquietar a mente e calar o corpo.
Recolho as asas, retiro as roupas, medito. Ouço estranhamente o som de
uma orquestra familiar. Abro os olhos. Eis que o mar renasce. A Lua se
posiciona novamente em seu lugar cativo da escura noite, sigo a rota de
seu rastro luminoso até a beirada onde quebram as ondas, a sereia
aparece. Dessa vez, há asas em suas costas. Com uma réstia de ar,
eleva-me por sobre suas asas e as penas me envolvem a alma. Alçamos vôo
para a terra do nada onde habita o senhor do tudo. Um casamento ele
executa. Onde tudo é possível, vive o amor junto aos sonhos, um zelando o
outro. Abro os olhos e acordo em meu quarto. O curioso é sentir que
algo significativo ocorreu durante o sono.
Eu toco o céu com as mãos, acendo as estrelas com o calor do meu corpo e
conduzo os raios do Sol com meus cabelos. O luar é meu perfume e o dia
nasce quando eu bocejo. Abro a boca e escondo a claridade por debaixo da
língua, surge a treva da noite. Os meus olhos penetram o cosmos
forjando estrelas que não brilham, escurecem o passado como um anjo
efêmero visitando o futuro. Estico os pés e chuto a Terra para outra
dimensão. Escrevo um poema junto ao pulsar do coração e assim nasce um
novo universo. Sua vida se manifesta nas entrelinhas, no silêncio, a
intensidade de sua verdade queima qualquer coisa e tudo se ilumina.
Respiro a luz que escapa do sorriso do amor e desvaneço como névoa. Eu
era apenas um sonho.
O Sol se afoga no horizonte enquanto a Lua emerge no seio da noite. A
sua cor é amarelada e contrasta com o brilho do rosto de Deus. A criação
é uma pintura tão bela quanto incerta e a abóbada celeste cravejada de
estrelas é sua moldura. Sabe-se que o tempo é uma miragem e que o espaço
é fruto de uma percepção tridimensional, mas nesse momento maior, tudo o
que vejo é um caudal de gozo e eterna glória. A voz de Deus ecoa como
um trovão e de seu corpo abrem-se clarões de relâmpagos
em tons divinos. Deixe-me contar algo, os olhos mundanos não suportam a
verdade dessa beleza. Mergulho no sonho particular de um estranho
menino, sorrio, permito-me poetizar como o infinito, como o amor, como a
flor e como o ar. Navego por entre as brumas das montanhas, me deito no
leito dos rios, me cubro com as ondas do mar, deslizo sobre o fogo da
fúria dos homens e alço vôo nas asas do espírito santo. Meu violão
clama, atendo-o. A música evoca o metafísico. O céu desaba. A terra o
acolhe. E desse casamento, surge a ponte que liga o além com o nosso
mundo. Arte é seu nome.
Me sinto voando num céu de esmeraldas sempre que pego o lápis para
escrever poesia. O papel é uma nuvem na qual meus pensamentos criam a
forma, um transe me inunda, cores desconhecidas se mostram na aura e meu
corpo quase flutua. A sensação de ver um poema completo é algo como o
estrondo das águas quando no mar ressacado. As pessoas detestam poesia,
estão habituadas ao vão falatório das cidades e suas sagradas
televisões. Bom, talvez por isso se comportem como doentes terminais. A
arte da poesia nos lapida o ser para que este não decaia em pedra bruta.
Me sinto vivendo num mundo encantado sempre que lanço a alma para
encontrar poesia. Meus olhos são como o ouro brilhando, meus medos são
pura ilusão, minha vida parece magia.
Eu herdei a cor do céu e soprei o aroma do amor que perfuma o corpo de
Deus. Sou um arquiteto de sonhos incompletos porque nunca os alcanço.
Sou o colorista das estrelas, dos mares, das terras, sou cada folha de
cada árvore e cada flor de primavera. Acordo em noite de Lua cheia e
adormeço em manhã de Sol brando. Jamais toquei a mente dos homens ou a
agonia de seus medos. Rasguei meu corpo inteiro, beijei minha própria
boca, meu ventre me acolheu. Quis me desvendar. Encontrei um vão dentro
de mim capaz de engolir qualquer mundo real. As nuvens se turvaram, a
morte despencara, a vida foi entrando. E num vasto alumbramento, eu
nasci. O meu nome é Poesia.
Sua pele era seda, seus olhos eram o dia, seu corpo era um oásis e sua
voz era como o som de muitas águas se encontrando. Seu perfume era o
aroma da chuva e seu Deus era a noite. Conduzia os poemas como um
maestro e regia sua vida como um poeta. Um ser misterioso, seu rosto era
um vulto e sua presença era efêmera. Avistava miríades de anjos
pairando em seu quarto e com harpas nas mãos, a música era dos céus, o
seu corpo adormecia. A fome era de além, a sede era de vida. E no sopro
do vento divino, sua alma ascendia.
A dança dos astros nos palcos celestes são a celebração de algo divino.
Vejo o Sol nascendo lentamente, e por um momento, sou tão belo quanto
sua luz. O mar reflete o azul do céu, o macrocosmos se espelha no
microcosmos. O abstrato é parte intrínseca da alma e a quebra dos
feitiços mundanos provém de sua sintonia com a arte, com a leveza, com o
além. Os pássaros cantam para o dia, o amor se faz presente, o vento os
abraça. Na próxima vida eu desejo nascer como um pássaro. Voando,
carregando galhos, almoçando frutas. Em harmonia com os irmãos e em paz
com a natureza.
Sou uma corrente de ar soprando flores pelos sete mares, conduzindo
minhas naus rumo as praias de mim mesmo onde se ancoram sombras e luzes.
Sou uma quimera, uma fusão de maldade e bondade. Eu estou me
encontrando. Descobri que sou algo além de um rosto e além de um nome e
além da sequência numérica da carteira de identidade. Sou um rasgo de
alívio ecoando nas profundezas do espírito das aguas da minha vida, por
ora isentas de morte, mas sempre sedentas de arte. O dia se apaga,
faz-se noite, o sono me lança de volta ao mundo da liberdade. Jorra uma
fonte de poesias no vale encantado onde estou feliz contemplando o meu
corpo humano derretendo como se nunca houvesse existido. Sorria,
criatura. Aqui os sonhos são reais.
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