sábado, 6 de janeiro de 2018

Permita-me estar distante de ti, ó Deus do tempo. Num lugar sem calendários, horários, compromissos. Um lugar onde eu possa brincar com a vida como a quem brinca de escrever poesia, livre, sem medo de sorrir. Exila-me de ti, ó Deus do tempo. Conceda-me os mares da eternidade onde eu possa velejar tão sereno quanto as nuvens que flutuam nesse céu, que para mim, são como barcos de algodão deslizando numa seda azul. Livra-me do teu corpo espiralado e dos alçapões dos teus olhares. Deus do tempo! Esqueça-te de mim! Pois assim, escaparei de ti como fumaça, como a um sonho que escorrega quando tentam recorda-lo, como o tic-tac dos relógios antigos que marcam outros tempos, como o entardecer, como um beijo fugaz, como o próprio tempo.

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