Eu posso erguer milhões de impérios
Deitar-me com as mais belas mulheres
Eu posso conquistar todos os tesouros
De todos os reinos desse mundo
Deleitar-me dos prazeres que nenhum
Ser humano jamais sequer sonhara
Ou ainda posso lançar o meu corpo
A ser queimado nas brasas do inferno
E isso de nada me aproveitará se não
Houver um coração no meu peito
Se não houver uma Alma ardendo
Por mim e dentro de mim
Pois ainda que eu seja um Faraó
Nada serei se perder a mim mesmo
No que eu penso e no que eu faço
No coração e na Alma que eu cuspo
Toda vez que sobrepujo a nobre
Riqueza do espírito pela torpe
Riqueza da carne, o ouro desse mundo
Eu posso comprar as jóias e holofotes
Dessas terras, e embora o meu poderio
Sejas capaz de abrir os mares
Rasgar os céus, mover montanhas
Se apesar de tudo, eu não souber
Dar as mãos para o meu semelhante
E sentir mais ímpeto de violência
Do que o doce alivio do respeito
Que o meu sangue seja derramado
Nos alicerces de meus templos
E sirva de tapete para os meus pés
Caminharem seguramente ao local
De restauração do meu ser que é luz
Do meu coração que é luz
Da minha Amada, da minha Alma!
E eu possa finalmente ser o Rei
O Rei de todo o meu espírito
Junto Aquele em que sou a imagem
E semelhança no Altíssimo
Ou no abismo da Terra e do meu Ego
O Deus de Abraão, João, Paulo, Jacó,
Buda, Krishna, Hórus, Cristo Jesus
Tu tens a soberania de ressuscitar
As nossas velhas almas
Engolidas por esse mundo caído
Que as tuas mãos penetrem-se dentro
De nós e retorçam essa iniquidade
Que há tempos nos apossou
Fazendo-nos perecer e espalhar morte
Em cada canto e todo espaço
De nossas estranhas vidas na Terra
O arquétipo de Maria
Desabar-se-á sob as nossas mentes
Que os nossos olhares se permitam
Desviar-se da vã cobiça
E compadecer-se pelas lágrimas
De nossos tantos irmãos
Estraçalhados por uma causa contrária
Que mastigou esse planeta
Escuta esses gemidos, são teus filhos!
Foi para isso que nos destes a vida?
Pai querido, tenha piedade de nós
Livra-nos desse arraial de ignomínia
Abra flancos em nossos intelectos
E infiltre energia de cura, de bondade
De sentimento, sonho, intuição, amor
E assim como a humilde lagarta que se
Metamorfoseia em frondosa borboleta
Deixemos de ser esses pré-humanos
E nos transformemos em humanos
A vida que existe em mim
Que essa vida não seja utilizada
Na insanidade de derrubar as pessoas
Mas para ajuda-las a se levantarem
Pois assim eu me levantarei também
Que consigamos construir Paz
Afeto, Luz, pontes entre nós ao invés
De currais com arames farpados
Que Ele(A) faças de nós, uma taça
Para recebermos o vinho da Glória
Desde o inicio
Ao final dos tempos
Pela eternidade afora
Ad infinitum
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